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Ribeira de Alge
"A Ribeira de Alge nasce na Serra da Lousã, desaguando no Rio Zêzere, na aldeia de Foz de Alge, no concelho de Figueiró dos Vinhos.
Da sua extensão total, cerca de 6,5 km atravessam a freguesia de Maçãs de Dona Maria, constituindo, por isso, o curso de água permanente mais relevante do território do concelho de Alvaiázere.
A Ribeira de Alge flui, quase na sua totalidade, por um vale de vertentes muito declivosas, de difícil acesso e, portanto, menos suscetíveis à interferência humana, levando a que ao longo do seu curso ainda persistam algumas comunidades de plantas autóctones desta região, podendo-se encontrar espécies como o azereiro (Prunus lusitanica), o carvalho-alvarinho (Quercus robur), o carvalho-cerquinho (Quercus faginea), o sobreiro (Quercus suber), o castanheiro (Castanea sativa) ou o loureiro (Laurus nobilis).
Ainda sobre a flora, destaca-se igualmente a vegetação ripária, ou seja, o conjunto de plantas que cresce de forma natural na proximidade das linhas de água, formando, no seu conjunto, as chamadas galerias ribeirinhas, constituindo, normalmente, um conjunto frondoso que ladeia e ensombra o curso de água.
Ao longo da Ribeira de Alge podem-se encontrar amieiros (Almus glutinosa), freixos (Fraxinus angustifolia), salgueiros (Salix sp.), entre outras árvores, apresentando-se ainda uma elevada densidade de vegetação no subcoberto, contando-se, entre muitas outras espécies, a presença de arbustos como o sanguinho-de-água (Frangula alnus) ou a gilbardeira (Ruscus aculeatus), e lianas como a silva-comum (Rubus ulmifolius) ou a hera-atlântica (Hedera hibérnica).
As galerias ripícolas desempenham um papel de extrema relevância, estabilizando as margens dos cursos de água; contribuem para controlar a velocidade da água aquando da ocorrência de cheias, protegendo as áreas adjacentes; moderam a temperatura e a evaporação da água, através do ensombramento sobre o leito, controlando, também a qualidade da água; e, não menos importante, formam um corredor ecológico para a fauna silvestre assumindo-se como um reduto de biodiversidade.
Efetivamente, a riqueza ecológica da Ribeira de Alge não se expressa apenas ao nível da flora, mas também na fauna que habita o ecossistema que a mesma sustenta.
Com relativa facilidade, podem-se observar anfíbios como a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra) ou a rã-ibérica (Rana iberica). A vegetação serve ainda de abrigo a múltiplos mamíferos como a raposa (Vulpes vulpes), o ginete (Genetta genetta), o saca-rabos (Herpestes ichneumon), o javali (Sus scrofa), o corço (Capreolus capreolus), o veado-vermelho (Cervus elaphus) ou o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus algirus), espécie chave dos ecossistemas mediterrânicos, que constitui presa preferencial para um vasto conjunto de predadores.